Quantos amigos cabem em uma biblioteca? Pelas estantes, enredos e narrativas inventadas, podemos dizer que ter amigos imaginários é muito mais comum do que pensamos.

Foi olhando para este lugar rico de histórias que encontramos sentido e significado para escrever este texto. A biblioteca, onde dormem todos os dias uma série de personagens que mexem com as nossas emoções, é um ótimo espaço para cultivar a imaginação. Assim, talvez o lugar ideal para encontrar um amigo imaginário.

Os livros trazem personagens e histórias que proporcionam identificação, a voz de um autor ou autora favorita, ilustrações que fazem sonhar. Esses e tantos outros estímulos que encantam podem ser amigos das crianças na hora de lidar com situações novas no dia a dia.

Elas estão o tempo todo em contado direto com suas sensações e emoções, têm que lidar com acontecimentos que exigem respostas para as quais muitas vezes não estão preparadas. É então que esses seres imaginados pelas crianças entram como ajudantes na tarefa profunda de estarem no mundo do seu próprio jeito.

Um pouco desse pensamento também faz parte do livro “Os Imaginários”, escrito pelo renomado autor britânico A. F. Harrold, poeta e mestre das palavras para crianças e jovens, com ilustrações incríveis da premiada Emily Gravett.

Desde a primeira página, o livro publicado pela editora Escarlate cativa os leitores sobre essa história tão comum que é ter um amigo invisível. Ali, apenas Amanda conseguia ver seu amigo imaginário, Rodger, até o sinistro sr. Tordo bater à sua porta. O sr. Tordo, vale aqui a apresentação, caça imaginários nessa aventura em que a biblioteca tem lugar especial.

Você conhece outros livros que abordam esse tema? Já teve ou tem um amigo imaginário? O que gostam de fazer juntos? Seu filho(a) fala e ele responde? E ainda ajuda na lição de casa? Uau!

De acordo com uma reportagem da Revista Crescer de 2014, “um levantamento feito pela Universidade de Leicester, no Reino Unido, com 1.800 crianças de 5 a 12 anos, mostrou que 46% delas já brincaram, pelo menos uma vez, com um amigo imaginário.”

Quer saber por que isso acontece? Vamos então falar de jogo simbólico, um termo cunhado na pedagogia e que nada mais é do que o “faz de conta”, uma forma de expressão das crianças, que com muita frequência dramatizam, trocam papéis e criam situações e narrativas em suas brincadeiras – em especial a partir dos três anos de idade. 

A psicologia explica isso de várias formas, e na maior parte dos casos acredita que isso é bastante natural e saudável. No entanto, vamos deixar de lado um pouco do desenvolvimento infantil para focar naquilo que sabemos e admiramos: as crianças são nossas grandes mestres da fantasia. E a biblioteca – sim, ela novamente – talvez seja o lugar que mais nos coloque em contato com esse mundo grande que são os nossos sentimentos.

 

Autoras: Estúdio Voador | Ana Paula Campos e Thais Caramico. Somos um estúdio de criação de conteúdo para crianças, famílias e educadores. Valorizamos o protagonismo e as linguagens das crianças, e nossos projetos se inspiram nas artes, nos livros, no design, na ciência, na natureza e no brincar. Conheça nosso trabalho e nossos projetos especiais em www.estudiovoador.com, @inventorios e @bibliotecadefora.

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