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“Era uma vez, num reino muito distante, um lugar habitado pelos seres maravilhosos: fadas, magos, bruxas, anões, gigantes… e onde a magia acontecia…”

Quem não se lembra de escutar contos de fadas? Por que estes contos fascinam tanto as crianças? Por que os adultos têm medo de que seus filhos tenham medos, frustrações ao acompanhar um enredo destas histórias?

Muitos pais acham desnecessário apresentar estes títulos para seus filhos por acreditarem que naquele momento eles não precisam lidar com as questões trazidas no enredo, sendo assim buscam poupar seus filhos, protegendo-os de todo o “mau”.

Afinal de contas, por que contar estas histórias para as crianças?

Este artigo abordará o modo como vemos as crianças, alguns de seus dilemas existenciais, a maneira como pensam e sobre alguns elementos a respeito da narrativa dos contos de fadas que dialogam com os pequenos.

Para debatermos o assunto primeiramente precisamos conhecer melhor a criança. Você sabia que ela é curiosa e busca se inserir no mundo, desejando compreendê-lo e atuar sobre ele?

A narrativa aborda questões essenciais humanas, retratando os dilemas que elas vivenciam: a separação dos pais, o medo da rejeição, a rivalidade entre irmãos, o crescimento, o amadurecimento, entre outros.

A cada experiência a criança atribui sentido àquilo que vive e relaciona os diversos eventos de seu cotidiano. Assim, o conto de fadas é mais um elemento do qual ela poderá usufruir para elaborar suas questões internas, permitindo, assim, que desenvolva uma força interior para lidar com as adversidades, ambiguidades e contradições da vida que inevitavelmente irá enfrentar.

Geralmente o protagonista é um personagem frágil, com quem se identifica. No decorrer de todo o enredo, o mesmo enfrenta diversos conflitos entre o bem e o mal, é perseguido até que surgem os seres mágicos e no final a virtude triunfa, o ser malévolo é castigado e tudo termina com um final feliz.

Escutar um conto possibilita à criança usar sua imaginação e organizar sua experiência internamente na elaboração entre o bem e o mal, que é retratado ao longo da narrativa. É importante que as crianças desenvolvam e criem novas imagens internas.

Alguns adultos discordam do desfecho, pois para eles as crianças devem conhecer como é o mundo real, porém elas sabem diferenciar aquilo que faz parte da realidade e o que é uma fantasia e precisa deste universo mágico que a console e lhe dê esperanças de dias melhores, pois aguarda um final feliz. O importante é que o mau seja punido. A possibilidade de a criança elaborar suas questões internas a partir dos contos de fadas pode promover a confiança nela mesma e no seu futuro.

A maneira como cada criança se relaciona com a leitura é singular, pois singulares são as suas experiências mesmo quando são compartilhadas, cada uma vive e percebe a partir de seu referencial. É comum que elas peçam para reler várias vezes o mesmo título para, assim, reviver sentimentos e ampliar os sentidos e significados.

Para que seus filhos usufruam de todo potencial destas narrativas é importante ser criterioso na escolha de obras e apresentar primeiramente as mais próximas das originais, com tradução de autores conhecidos, para que cumpram o seu papel de favorecer toda esta elaboração interna da criança. E posteriormente apresentar e usar as versões que apaziguam as emoções, como nos filmes que recontam a Cinderela, A Bela e a Fera, entre outros.

Aproveite junto de seus filhos este momento de leitura, compartilhe com eles aqueles que você mais gostava de ler na sua infância, reviva esta experiência. Pode ser um momento de descobertas e de prazer do encontro.

 

 

Andrea JotaAutora: Andrea Jota, sou pedagoga, especialista em Gestão Pedagógica e Formação em Educação Infantil, atuo com crianças há mais de vinte anos. Acredito no protagonismo das crianças, na valorização e respeito às famílias e no diálogo como um caminho para a conscientização dos cuidados na primeira infância, na formação de sujeitos autores, capazes de transformar o seu entorno e de se realizar.

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