Os cuidados corporais no bebê e na criança pequena, envolvem o banho, o sono, a alimentação, troca de fraldas e roupas.

Muitas vezes pensamos que essa parte é menos importante, pois achamos que a criança vai aprender em outras situações como quando as ensinamos algo ou quando ela vai brincar. Então, deixamos as trocas para o automático, fazendo com pressa para ir a outro lugar.

A realidade é: ninguém nos ensinou que esses momentos são privilegiados.

Privilegiados, porque? Segundo a abordagem Pikler esse é um momento importante na construção do vínculo entre cuidador e bebê.

O afeto é construído através do nosso toque, do nosso olhar e da valorização do bebê como um sujeito capaz. Além disso, o tato o ajuda a perceber a si mesmo e os contornos do próprio corpo. Dessa maneira, ele vai sentindo aos poucos que existe no mundo.

E por quê? O bebê nasce biologicamente, mas a sua concepção de existência no mundo é um processo, que denominamos como nascimento psíquico. Este nascimento da psique, depende do contato físico do cuidador para se desenvolver de uma maneira saudável.

No início da vida o bebê é uma fusão com a mãe, ele não sente essa separação normal entre dois indivíduos, mas, sente que ambos são uma única coisa.  É aos poucos, que ele vai sentir que é um ser único, separado da mãe. No meio desse processo, passa por diversas sensações corporais, como por exemplo: dependendo da maneira com a qual o pegamos, sem muito contorno físico, exposto demais ao ar, ele pode sentir que está caindo no vazio, com uma sensação de queda infinita.

Portanto, a participação consciente do adulto nos cuidados é muito marcante e significativa.

Aqui vai algumas dicas de como podemos realizar os cuidados no bebê:

– Evite pegar o bebê bruscamente isso é uma forma de respeitar a sua integridade física.

– Anuncie o que vai ser feito antes de pegar a criança e espere a sua resposta. “Olá, estou percebendo que tem cocô na sua fralda, vou te ajudar a trocar”.

– Valorize uma interação com o bebê e mantenha o contato visual.

– Tenha mãos suaves e delicadas. Lembre-se: o bebê descobre aos poucos a si mesmo, através do nosso toque, nossas mãos podem deixar marcas psicológicas na criança.

– Diga ao bebê o que está sendo feito no momento da troca e mostre para ele o que você vai usar. “Agora vou abrir a sua fralda”, “Vou usar esse lencinho”, “Está frio o lenço? ”, “Vou precisar dessa perna para colocar a calça, você me ajuda? Vou tocar em você”.

– Mantenha uma voz suave. Delicadeza é parte importante do processo.

– Mantenha a previsibilidade anunciando sempre os cuidados, dialogando com o bebê e de preferência mantendo os mesmos cuidadores para o momento.

– Considere o bebê um ser ativo e competente

– Permita que o bebê expresse as suas emoções, como incômodo, alegria, impaciência.

– Permita que o bebê se expresse através do corpo. É natural que o bebê não fique parado na mesma posição, aproveite e acompanhe, dialogando com o bebê sobre o que está sendo feito e tocando-o com delicadeza. Vai chegar um momento em que a criança vai colaborar cada vez mais com o cuidador.

Por que é importante essa conduta do cuidador?

– O bebê se sente mais seguro, através da previsibilidade.

– O bebê percebe a si mesmo.

– Ajuda o bebê a se sentir digno de voz, interação e respeito. E isso, o ajudará a respeitar os outros no futuro.

– Os cuidados são a base da autoestima, da segurança emocional, e, portanto, da comunicação com o outro e com o mundo.

– Aos poucos o bebê vai integrando normas sociais.

– É uma oportunidade de aprendizagem.

– É um momento de construção de vínculo.

– A criança aprende a confiar no cuidador.

– A criança aprende a colaborar pois se sente parte do processo.

“Movimentos rápidos repentinos e despreparados fazem com que o bebê se feche e desconfie do adulto. Por exemplo: se jogamos o bebê por cima do nosso braço esquerdo de barriga para baixo, igual uma toalha, e colocamos o bumbum debaixo de uma torneira para lavá-lo, abrimos a água e ensaboamos rapidamente a bundinha, sem que a criança possa nos ver, sem que ela possa se preparar para o que vai acontecer e sem que ela possa sinalizar se está gostando ou não; por exemplo da temperatura da água, então mostramos para a criança que não estamos interessados numa relação com ela. Esta criança vai cooperar cada vez menos conosco, vai tornar-se cada vez mais apática ou agressiva e o momento de cuidar dela vai se tornar cada vez mais estressante para ambos os lados. Se, ao contrário, fizermos movimentos suaves com as mãos, prepararmos o bebê para cada ação e pedirmos sua colaboração, esperando sempre um pouco sua cooperação antes de completar uma ação, aí desenvolveremos interesse mútuo e os dois, adulto e criança, terão grande satisfação em estarem juntos”.

      (“Criança querida”, de Renate Keller Ignacio).

 

Mais sobre o nascimento psíquico:

https://www.youtube.com/watch?v=PUF9-ubH2RA&t=416s

Dicas de leitura sobre a abordagem Pikler:

https://www.omnisciencia.com.br/colecao-primeira-infancia/p

 

Ingrid GrattoniAutora: Ingrid Grattoni, arte-educadora e pesquisadora da primeira infância. Compreende que a educação é um meio revolucionário de mudar o mundo e de ajudar pessoas em seu crescimento. Colabora com famílias e instituições não formais de ensino nos cuidados de crianças de 0 a 3 anos. Acredita que a consciência nos cuidados da primeira infância é essencial para a construção de um ser humano feliz e seguro.

“Priorize brincadeiras que permitem a aproximação e a transmissão de afeto entre você e seu filho, escolhendo os brinquedos da nossa loja virtual” (Playlab)

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