Entre o momento do nascimento e a criança conseguir andar para pegar o brinquedo que quer há um longo caminho.

Inicialmente, os bebês estão sujeitos ao ambiente e pessoas a sua volta (dependem da mãe para levá-lo ao berço ou se o brinquedo já está na sua mão ou não).  Com o desenvolvimento e a aprendizagem motora passam a conseguir fazer o que tem vontade, como pegar o que querem ou procurar a sua mãe.

Mas até chegar a esse ponto há um processo, com uma melhora gradativa dos movimentos. Inicialmente eles ocorrem de forma descoordenada, sem muita precisão, e com o desenvolvimentos das habilidades motoras atingem um ponto em que são harmônicos, leves, certeiros, seja para pegar um grãozinho de arroz ou para pular de um paralelepípedo para outro num pé só.

Durante esse caminho precisam receber dois tipos de informações . As que são captadas do próprio corpo e ambientes antes da realização da ação, importantes para o planejamento motor   E outras obtidas depois que fazem qualquer movimento, demonstrando se o que foi feito é igual ao desejo inicial (sabe a história da expectativa x realidade?), assim o sistema nervoso é capaz de saber quais ajustes precisam ser realizados e os movimentos se tornem precisos.

Para que a aprendizagem motora aconteça em toda a sua potencialidade dois fatores são essenciais: o treino e a variabilidade. Para ganhar e melhorar os movimentos é preciso repetir, repetir, repetir. Com as informações recebidas sobre se o desempenho foi o que tinha sido planejado, e a cada tentativa, erro e acerto, o aprendizado é consolidado no cérebro, isto é, o caminho entre os neurônios, fica mais forte e mais fácil de ser acessado novamente.

Porém, se a repetição for sempre igual e com os mesmos materiais, texturas e no mesmo ambiente, o número de ingredientes com os quais o cérebro é alimentado fica limitado, e, consequentemente, os comportamentos motores também ficam mais restritos. Assim, a variabilidade, ou seja, permitir que a que a criança experimente uma grande variação de estímulos, aumenta as chances de respostas diferentes. Isso aumenta o seu repertório interno e elas conseguem se adaptar melhor motoramente. E quanto maior o conjunto de habilidades básicas a criança tiver (quanto mais oportunidades de explorar e aprender com o próprio corpo), maior será a “facilidade” para aprender novas tarefas motoras.

E como  você pode facilitar essa variabilidade durante a aprendizagem motora e o desenvolvimento da criança?

1 – use e abuse dos brinquedos criativos

A quantidade de brinquedos que encontramos no mercado é gigantesca, mas, existem aqueles que permitem uma maior possibilidade de exploração, com muitos jeitos de brincar, e que permitam várias respostas motoras

2 – mude de ambientes

Brinque e passeie em locais diferentes. As crianças têm por natureza uma alta capacidade de observação e uma grande vontade de exploração, cada local diferente fornece uma ampla gama de oportunidades para tentar e experimentar o novo. E não precisa sair de casa para isso, brincar na cozinha ao invés do quarto já serve para variar os estímulos

3 – diminua o número de brinquedos na hora da brincadeira

Com menos objetos permite-se que a criança explore um mesmo brinquedo de diferentes formas, tente outras estratégias e aumente a criatividade e isso também faz o seu repertório interno crescer

4 – forneça objetos simples (brinquedos não estruturados)

Assim como o item anterior, permitir que a criança explore itens que não são inicialmente brinquedos, como potes, fitas, papéis, folhas dá possibilidade para ir além, experimentar sensações e texturas diferentes, movimentos com dedos, mãos e, por que não, pés, que não tinham sido tentados antes

Permitir que a criança faça e explore coisas novas e diferentes, assim como, realize a mesma atividade de formas distintas é um dos modos que os pais podem favorecer a aprendizagem motora e facilitar o desenvolvimento de todo o potencial de seu filho.

Sobre o Tempo Mágico e as autoras:

O Tempo Mágico foi criado por duas grandes amigas, Alê e Grá,  que descobriram juntas as suas missões de vida: ajudar mães a se conectarem mais com seus filhos através da brincadeira!

 

Alê Palazzin: Sou fisioterapeuta, especializada em neuropediatra, mestre em aprendizado motor e mãe do Pedro, 5 anos (como o tempo voa!). Sempre fui apaixonada por aprender e também por compartilhar meu conhecimento, tudo o que aprendi… ajudar aos outros de alguma forma a terem também boas experiências… A maternidade sempre foi um sonho que sou muito grata por poder realizar e ter tido a oportunidade de mergulhar de cabeça nesse mundo (desafiador e apaixonante!), me faz querer aprender ainda mais e mais… para ser a melhor mãe que eu posso ser, para que meu filho tenha as melhores vivências possíveis e para continuar ajudando todos a minha volta…

 

 

Grá Faelli: Sou fisioterapeuta, especializada em neurologia, mestre em neurociências, mãe do Rafa, de 8 anos. Sempre busquei a realização como profissional e alta produtividade, até que um dia, como num choque de um fio de alta tensão, percebi que algumas coisas (na verdade muitas) estavam me afastando da minha real prioridade, meu filhote. Desde então venho na busca de formas e momentos para me conectar mais com meu filho, através da presença, brincadeiras e muito estudo sobre o desenvolvimento infantil e o cérebro das crianças, e as fases pelas quais elas passam.

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