Briga de Irmãos

criança brigando para um carrinho brinquedo

Irmão! Aquele alguém para quem podemos telefonar a qualquer momento, aquele que tem o ombro disponível para podermos chorar, aquele que nos aconselha, com quem também brigamos, reclamamos, detestamos, amamos, odiamos, relembramos, que mesmo estando distante podemos contar em todas as situações. Distante e sempre perto ou, então, perto, porém distante ou com quem nem queremos contato, mas, mesmo assim, continuará fazendo parte da nossa vida para sempre.

Esta relação tão intensa e importante traz desafios no cotidiano dos pais. Afinal de contas, como lidar com as brigas entre irmãos? Neste artigo abordarei uma reflexão sobre esta relação, suas possíveis desavenças, a concepção de conflito como oportunidade de aprendizado e dicas de como lidar com eles.

O sentido da relação entre irmãos

Uma relação e tanto!!! Intensa e complexa. A família é o primeiro meio em que a criança se relaciona e conhece este mundo, onde estabelece suas relações e começa a trilhar o caminho para a construção de sua identidade. Pertencer a um núcleo e às diferentes relações que são estabelecidas, os tratamentos que os pais realizam para cada filho, influencia significativamente na maneira como cada um se constitui e se relaciona.

A forma como os pais se relacionam com seus filhos muitas vezes pode evitar que algumas brigas aconteçam, quando motivadas pela busca de atenção e reconhecimento dos pais. É preciso olhar cada filho como único, sem comparações. Quando se dá ênfase à diferença, valorizando um em detrimento do outro, vamos caracterizando cada filho, que assumirá o papel no qual é colocado ao se relacionar tanto em casa como fora.

Conceber cada filho em sua diferença, valorizando as especificidades de cada um, garantindo o espaço e a expressão singular, traz uma nova perspectiva nas relações, podendo favorecer um ambiente sadio e facilitador na construção do afeto entre irmãos.

A concorrência, rivalidade, oposição, fazem parte e estão presentes por diversos motivos: pela disputa do amor dos pais, pelos pertences de cada um, pelo seu lugar na relação familiar, as diferenças entre idades, o ciúme, a inveja.

Entender o que está por trás da briga é muito importante, para tanto é preciso desenvolver uma postura curiosa diante de seus filhos, olhando para eles e para si, tentando entender se as suas atitudes, uma fala, um gesto muitas vezes desconectado de alguma situação, podem estar por trás das desavenças. Nas expressões singulares é preciso questionar-se o porque de tal manifestação, para, assim, compreender a fundo os sentimentos e motivações de cada um. A partir deste conhecimento mais profundo, pode-se estabelecer um diálogo que favoreça o acolhimento das emoções e a construção de sentidos.

A construção de uma relação de solidariedade é possível na convivência com um irmão, o encontro entre semelhantes no núcleo familiar, compartilhando experiências do cotidiano traz conforto para o sentimento de solidão nessa jornada da vida, podendo criar vínculos duradouros baseados na intimidade e cumplicidade.

Brigas, outra perspectiva

Viver as situações conflituosas é natural em toda relação, imagina então entre irmãos. Precisamos mudar nosso olhar para as brigas e encará-las como uma oportunidade da criança perceber seus sentimentos, acalmar-se, olhar para o outro, percebê-lo diferente dela, negociar, dialogar.

Conceber a briga de irmãos como sendo uma oportunidade de construções valiosas de olhares e atitudes perante a vida, de empatia, respeito, diálogo e confiança, possibilita criar outra atitude nesta situação.

Sendo assim, é importante dar apoio para ambas as partes reconhecendo que seus sentimentos são humanos, incentivando uma reflexão para que eles, somente eles, encontrem soluções para seus desentendimentos.

Dicas no momento do conflito:

1 – Não se envolva e aja com neutralidade.

No momento do conflito não se envolva e nem manifeste opiniões. Devolva para os envolvidos a questão e criação de soluções para os problemas vivenciados, construindo, por eles, maneiras de conciliação. Como por exemplo, dizer que não era você que estava na situação, ambos estão chateados, cada um tem os seus motivos, precisam conversar para se entenderem; depois de buscarem soluções, pode ser interessante verificar se ambos ficaram satisfeitos e se de fato se entenderam. Muitas vezes podemos nos surpreender.

2 – Não tome partido.

Evite tomar partido entre um e outro, como ao dirigir-se para um deles e intimidá-lo com um interrogatório: ”O que você fez?”, “Você pegou o brinquedo da sua irmã?!”, “Devolve para ela, que maldade fazer isso com a sua irmã”, ou então para o outro: “Por que você não empresta para ele? Que egoísta!!”, desta maneira você acaba colocando-se no papel de juiz(a), olhando para uma cena sob uma perspectiva, sem entender o que está por trás, categorizando, aumentando a possibilidade de rivalidade e alimentando sentimentos negativos pelas partes envolvidas.

3 – Evite as agressões.

Interceda nas situações de agressões físicas afastando-os no momento e não permitindo este tipo de manifestação.

4 – Acalmar para conseguir conversar e resolver.

Nas situações extremas solicite que se acalmem para que possam dialogar a respeito, pois com os ânimos à flor da pele é difícil estabelecer uma escuta para com o outro e colocar o seu ponto de vista.

5 – A relação é construída

A relação entre irmãos depende das afinidades que constroem, sendo assim, é importante que não insistam em uma convivência quando no momento não é manifestado este interesse. O afeto e o amor são tecidos com o tempo.

Novamente, como já abordei em outras ocasiões, saibam que não existe uma fórmula. Cada família, cada criança, cada relação, tem suas especificidades e é no dia a dia e com diálogo que ela se estabelece, que cada um encontra a sua maneira de lidar com cada situação.

 

Andrea JotaAutora: Andrea Jota, sou pedagoga, especialista em Gestão Pedagógica e Formação em Educação Infantil, atuo com crianças há mais de vinte anos, inicialmente com aulas de ballet clássico e expressão corporal, nos últimos quatorze anos tenho me dedicado à educação infantil.

Acredito no protagonismo das crianças, na valorização e respeito às famílias e no diálogo como um caminho para a conscientização dos cuidados na primeira infância, na formação de sujeitos autores, capazes de transformar o seu entorno e de se realizar.

 

0 respostas

Deixe uma resposta

Quer entrar na discussão?
Sinta-se livre para contribuir!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *