criança fazendo meditação blog infantil

Quando foi a última vez que você sentiu que estava totalmente presente onde estava, no que estava fazendo e com quem estava? Para falar a verdade você se recorda de alguma vez ter se sentido assim?

A maioria de nós vive em modo automático, fazendo as atividades que temos que fazer, e algumas vezes várias delas ao mesmo tempo. Acabamos nos sentindo ansiosos com o futuro, preocupados com o passado, irritados, infelizes, sobrecarregados, numa mistura de emoções. Os eletrônicos e as redes sociais contribuem ainda mais para este estado de agitação e te transportam para qualquer tempo, local ou pessoas que não sejam aquele ou aqueles que está.

Por este motivo o mindfulness, ou atenção plena em português, tem se difundido cada vez mais e é procurado por pessoas que sentem que tudo está demais, confuso, negativo (“para o mundo que eu quero descer!”).

Mindfulness é um estado de presença, é a escolha de viver o momento e prestar atenção deliberada no agora, sem julgamentos, nas coisas como de fato são. É sair do piloto automático para o estado consciente das suas emoções, sensações do corpo, pensamentos e ambiente a sua volta, incluindo as pessoas.

Mas por que falar disso para crianças? Elas não podem ser simplesmente crianças? Para falar a verdade elas têm muito mais mindfulness que nós. Quantas vezes você chama seu filho e ele não escuta? Será que ele está te ignorando ou simplesmente está com a atenção plena no que está fazendo? Ou quantas vezes você o observa brincando e sente que, para ele, aquilo é a única coisa acontecendo no mundo naquele momento? Porém, nós convivemos com elas o tempo todo, e estamos dando o exemplo de dividir o foco, de não olhar no olho, de estar sempre alternando entre o celular e elas. Ou seja, nós as “ensinamos” a perder essa capacidade de viver o presente.

A consequência disso é o elevado número de crianças ansiosas, deprimidas, com dificuldade de concentração e de relacionamento que vemos nos dias de hoje. Assim, como benefício para nós, mas especialmente como auxílio para que elas se tornem pessoas melhores, mais fortes, tranquilas e principalmente com um maior auto – conhecimento o mindfulness é uma excelente ferramenta, ou mais, estilo de vida.

Vamos te dar algumas dicas de como você pode incorporar a atenção plena no seu dia a dia com seu filho e na sua casa.

1- Selecione os estímulos.

Queremos que nossos filhos sejam estimulados para desenvolver todo o seu potencial, mas isso não significa que eles devem vir todos ao mesmo tempo. A proporcionar uma diversificação em um mesmo momento dividimos a atenção e diminuimos a possibilidade de ela observar os detalhes e absorver tudo o que aquele momento proporciona.

Ao colocar poucos estímulos visuais, sonoros e táteis a criança consegue treinar e aumentar a sua concentração, captar informações que não tinha visto ou sentido inicialmente, e perceber a sua relação (corpo e emoção), com o que está vivendo. Além disso, escolher um brinquedo que possibilite uma variedade de interações favorece as conexões cerebrais, aumenta a criatividade e o interesse.

2- Escolha 1 elemento e direcione toda a sua atenção.

A partir dos 3 anos já é possível fazer este exercício. Sente com o seu filho, em um ambiente com menos estímulos visuais e com mais silêncio e conversem sobre um item, que pode ser um brinquedo, objeto, um som ambiente (passarinhos, máquina de lavar…) ou até vocês mesmo. Observem e falem sobre os detalhes, mostre o que você vê  e pergunte “o que mais você vê?”

3- Nomei as emoções e fale sobre o que ela está sentindo.

Este exige treino, mas é fundamental não só para que percebam o momento, mas ajudará muito na comunicação entre vocês, para que ele se conheça e saiba lidar com o que está dentro dela. Não precisa focar somente nas emoções ruins, como quando ela está brava, frustrada, mas traga a tona as boas também (“olha como você está feliz!”, “esta se sentindo animado porque seu amigo vem em casa?”). Ajude-o a perceber como o corpo se sente quando estas emoções estão presentes

4- Olho no olho.

Converse e brinque com o seu filho olhando nos olhos, e estimule-o a fazer o mesmo. Com a enorme quantidade de estímulos a nossa volta o nosso olhar fica transitando de um local para o outro e tem dificuldade de se manter no seu ponto de atenção no momento, e o foco está onde o olhar está.

5- Atenção total na ação: vivencie junto com o seu filho a atividade que ele está fazendo no momento.

Diminua os fatores que possam causar distração e leve a atenção para as sensações do momento. Na hora do banho, peça para que ele sinta a água batendo no corpo, o cheiro do sabonete, a temperatura da água, como o corpo fica depois do banho. Na hora de comer pergunte sobre a textura e cor dos alimentos, qual a sensação que eles trazem à boca, se ele gosta ou não do sabor.

Para isso é necessário permitir que a criança faça as atividades com tempo e no seu ritmo, e você precisa se preparar para dar esse espaço, tanto na rotina quanto em relação a sua expectativa, para deixar a experiência mais leve, mais rica e com menor ansiedade.

6- Seja exemplo.

Esse item é batido quando falamos de educação e desenvolvimento das crianças, mas é o mais importante. E neste caso você também sentirá os benefícios de fazer uma coisa por vez, com atenção plena, foco, menos estímulos. A tranquilidade e a sensação de espaço é indescritível!

Autoras:

Alê Palazzin: Sou fisioterapeuta, especializada em neuropediatra, mestre em aprendizado motor e mãe do Pedro, 5 anos (como o tempo voa!). Sempre fui apaixonada por aprender e também por compartilhar meu conhecimento, tudo o que aprendi… ajudar aos outros de alguma forma a terem também boas experiências… A maternidade sempre foi um sonho que sou muito grata por poder realizar e ter tido a oportunidade de mergulhar de cabeça nesse mundo (desafiador e apaixonante!), me faz querer aprender ainda mais e mais… para ser a melhor mãe que eu posso ser, para que meu filho tenha as melhores vivências possíveis e para continuar ajudando todos a minha volta…

Grá Faelli: Sou fisioterapeuta, especializada em neurologia, mestre em neurociências, mãe do Rafa, de 8 anos. Sempre busquei a realização como profissional e alta produtividade, até que um dia, como num choque de um fio de alta tensão, percebi que algumas coisas (na verdade muitas) estavam me afastando da minha real prioridade, meu filhote. Desde então venho na busca de formas e momentos para me conectar mais com meu filho, através da presença, brincadeiras e muito estudo sobre o desenvolvimento infantil e o cérebro das crianças, e as fases pelas quais elas passam.

O Tempo Mágico foi criado por duas grandes amigas, Alê e Grá,  que descobriram juntas as suas missões de vida: ajudar mães a se conectarem mais com seus filhos através da brincadeira!

 

 

 

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