Birras. Como lidar?

criança fazendo birra

Bastou sua mãe falar que lhe daria o chocolate depois do jantar, que Valentina começou a fazer birra, chorava e jogava-se no chão desconsoladamente.

Melissa, sua mãe, olhava-a desconsertada sem saber o que fazer diante da presença de seus tios à mesa, todos ficaram constrangidos com a situação, olhavam para Melissa e depois para a menina com expressão de piedade. Tiago, seu pai, aproximava-se para tentar ajudar explicando os motivos, parecia que Valentina não escutava e insistia naquele comportamento, cansado com o tumulto ele resolveu gritar e ameaçar tirar seu brinquedo caso não parasse com aquela atitude, Valentina batia ainda mais os pés no chão e gritava mais alto. Sentindo-se pressionada com a situação, Melissa resolveu ceder para acalmar os ânimos de todos, dizia-lhe que daria apenas um bombom e em seguida almoçariam. Aos poucos Valentia acalmava-se e Melissa mostrava-se aliviada com a tranquilidade que voltava a fazer parte daquele momento, mas, para sua surpresa, ao entregar-lhe o chocolate desembrulhado, a menina começou a chorar novamente, pois era ela quem queria desembrulhá-lo.

Diante da birra, o que fazer? Neste artigo iremos ajudá-los a entender do que se trata este comportamento, como evitar e como lidar com ele de maneira mais efetiva, ajudando seu filho a lidar com a frustração, possibilitando uma reflexão a partir de algumas dicas do que fazer.

A cena de birra desconcerta qualquer pessoa. Algumas vezes parece que as crianças fazem isso para “irritar” os adultos. Este comportamento desperta diferentes sentimentos em seus responsáveis, como: impotência, vergonha, culpa – achando que não fazem o suficiente para seus filhos, rejeição – ao pensarem que não são amados, entre tantos outros. A partir destes sentimentos, perdem-se no grande desafio de educar seus filhos.

Afinal, o que é a birra?

A criança faz birra porque é uma tirana? É mimada?

Quer apenas o seu desejo e não escuta os outros?

Quer desafiar seus pais?

A criança pequena está aprendendo maneiras de conseguir aquilo que deseja e a lidar com os seus sentimentos. Geralmente, quando é contrariada sente-se frustrada, chora, grita e utiliza todas as suas possibilidades para convencer o adulto.

Que bom que elas lutam por aquilo que desejam, não é mesmo? Como seriam se apenas obedecessem? Aprenderiam a se colocar nas situações? E quando crescessem, defenderiam seus interesses? O sentido que estabelecemos para a birra determinará a maneira como agimos com as crianças, sendo assim, é fundamental o papel do adulto para ajudá-las a construir atitudes mais efetivas e respeitosas para isso.

Humanizar as relações ajuda a olhar diferente e a posicionar-se diante das birras

É importante pensarmos como nós adultos nos sentimos quando não conseguimos algo. Quem nunca sentiu raiva? Quem nunca ficou frustrado? Como gostaríamos de sermos tratados nestas situações? Conseguimos conversar nestes momentos ou precisamos nos acalmar?

Estes sentimentos fazem parte da vida, lidar com as frustrações é um aprendizado importante e é impossível reprimi-los ou evitá-los.

A diferença é que ao longo do nosso desenvolvimento, nós adultos construímos ou tentamos construir controle sobre nossas emoções e maneiras socialmente aceitáveis de expressá-las, já a criança está no começo de sua vida, desenvolvendo o seu autocontrole, que se dá gradativamente ao longo de muitos anos.

Mas saibam que: Dizer NÃO só faz sentido quando tem sentido. Dizer não a todo momento pode trazer outras mensagens para as crianças, como por exemplo: de que não são capazes, de que não estão incluídas nas situações que a família vivencia; o que gera maior descontentamento e maior possibilidade para que as birras aconteçam.

Como evitar as birras

As crianças precisam sentir-se incluídas, pertencentes ao núcleo familiar, consideradas nas situações do cotidiano e capazes de realizar suas ações.

Nos momentos em que estão com sono ou com fome ficam mais sensíveis e isso facilmente pode favorecer este comportamento. Caso percebam que este é o caso, o melhor que se tem a fazer é satisfazer essas necessidades básicas.

O que fazer durante a birra

1- Saiba que vocês não estão sozinhos, não são os únicos a passar por isso, tenham a convicção que fazem tudo o que podem para a educação de seu filho, sendo assim, não se importem com aquilo que os outros pensam.

2- Podemos lidar com o acontecimento, mas não conseguimos controlar, portanto não reajam a estas manifestações, tenham paciência, calma, precisam pensar no que fazer para ajudar seu filho a lidar com suas emoções.

3- Tirem-no do lugar de destaque, procurando um ambiente seguro e tranquilo para preservá-lo, para que possa extravasar sua emoção e acalmar-se.

4- Não gritem ou usem a violência, isto pode reprimir esta manifestação e não o ajudará a aprender a lidar com suas emoções, não sendo uma maneirar eficaz e efetiva a longo prazo.

5-  Não permitam que ele use de violência, como: bater, quebrar as coisas ou, até mesmo, se machucar ao extravasar suas emoções. Mostrem-se disponíveis para acolhê-lo em seu sentimento, ofereçam um colo.

6- Sejam empáticos mostrando que entendem o seu pedido, se for preciso repitam aquilo que havia solicitado. Validar seus desejos ajuda-o a sentir-se compreendido.

7- Não cedam. Sejam firmes naquilo que acreditam ser melhor para ele. Ceder pode confundir a criança com relação às regras e faz com que ela acredite que fazer birra é uma maneira eficaz de conseguir aquilo que deseja.

8- Depois de calmo, conversem a respeito. Mostrem-se disponíveis para escutá-lo, argumentem seu posicionamento e acolham-no ajudando a lidar com suas frustrações e a dar sentido para a experiência vivida.

Por fim, tenham convicção naquilo que acreditam ser o melhor para os seus filhos, pois agindo com firmeza e decisão ajuda as crianças a sentirem-se seguras. Saibam que não existe uma fórmula. Cada família, cada criança, cada relação tem suas especificidades e é na relação do dia a dia, com o diálogo que se estabelece, que cada um encontra a sua maneira de lidar com cada situação.

 

Andrea JotaAutora: Andrea Jota, sou pedagoga, especialista em Gestão Pedagógica e Formação em Educação Infantil, atuo com crianças há mais de vinte anos, inicialmente com aulas de ballet clássico e expressão corporal, nos últimos quatorze anos tenho-me dedicado à educação infantil. Acredito no protagonismo das crianças, na valorização e respeito às família e no diálogo como um caminho para a conscientização dos cuidados na primeira infância, na formação de sujeitos autores, capazes de transformarem o seu entorno e de se realizarem.

 

5 respostas
  1. Thaís Bifulco
    Thaís Bifulco diz:

    Excelente artigo.. todos nós pais já passou por isso e éh sempre bom falar sobre isso.. Parabéns Andrea.

    Responder
    • Rosaria
      Rosaria diz:

      Thais, ficamos felizes que você gostou do artigo. O nosso proposito é escrever artigos que proporcionem recursos para lidar com as diferentes situações da primeira infância.
      Uma boa tarde e não deixe de acompanhar o nosso blog e o perfil @loja.playlab no instagram

      Responder
    • Rosaria
      Rosaria diz:

      Olá Thaís, ser pais informados e conscientes ajuda a agir de forma melhor com os nossos pequenos. Por isso é importante conversar sobre esses assuntos. Que bom que gostou do artigo!
      Uma boa tarde

      Responder
  2. Tatiane
    Tatiane diz:

    Obrigado pelas palavras bem colocadas sinceramente de algumas leituras q gosto de fazer a respeito de crianças a sua foi uma das mais diretas e simples e corretíssimo obrigado

    Responder
    • Rosaria
      Rosaria diz:

      olá Tatiane, ficamos felizes que você gostou do artigo.
      O nosso proposito é escrever artigos que proporcionem recursos para lidar com as diferentes situações da primeira infância.

      Uma boa tarde e não deixe de acompanhar o nosso blog e o perfil @loja.playlab no instagram

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