O desenvolvimento da linguagem e da fala das crianças é um processo de aprendizado e construção.

Este caminho já começa a ser formado dentro da barriga da mãe, mais especificamente a partir da 14a semana de gestação, quando o bebê já é capaz de ouvir os sons internos, como a voz da própria mãe. Cada barulhinho que chega aos seus ouvidos são estímulos importantes para que as conexões nervosas e estruturas responsáveis pela audição e pela compreensão se desenvolvam. Ao nascer ele é até capaz de reconhecer a voz da mãe, o que traz mais segurança, pois é um dos únicos aspectos que ele já conhece quando chega ao “mundo” aqui de fora!

Fora da barriga essa construção é intensificada, já que os estímulos para o seu crescimento aumentam significativamente, tanto para audição e compreensão, quanto para a expressão, ou seja, a fala propriamente dita. O objetivo final de todo esse processo é a comunicação, isto é, expressar vontades, sentimentos, emoções, idéias, dores, opiniões… Desde o nascimento ele já faz isso através de formas não verbais, com o choro, movimentos corporais e expressões faciais. Porém, e a gente bem sabe disso, não é uma forma tão clara e assertiva. Quantas vezes você olhou para o seu bebê e perguntou para ele: “Filho, o que você tem? É fome? Tá com sono? Quer colo?”. Seria tão mais fácil se eles já nascessem  falando assim como ouvem.

A aquisição da linguagem ocorre em diversas etapas, com 6 meses seu filho já viu você falar tantas vezes que começa a imitar os movimentos da sua boca e emite sons com entonação. Por volta dos 9 ou 10 meses diz a primeira palavra e ao 3 anos já conhece mais 1000 palavras e fala pelo menos 250, conseguindo construir frases simples e se comunicar de forma mais efetiva com o mundo. Ah, você sabia que dependendo da fase a criança ela aprende até 6 palavras por dia?

Mas será que nós, pais, podemos ajudá-los nesse caminho? Com certeza! Desde a gestação conseguimos favorecer a construção da linguagem e, consequentemente, da fala. Existem várias formas que podemos contribuir, e elas vão de encontro ao que facilita qualquer aprendizado. Exemplo, inspiração, motivação, criação da necessidade, afeto, retorno positivo e divertimento (sim, a alegria e diversão fortalecem e facilitam o aprender).

A primeira e mais importante forma de fazer isso é através da conversa. Ela vai além de falar com o bebê ou a criança, envolve ouvir o que ela tem a dizer (seja sons, palavras que não entendemos ou frases), responder com clareza e atenção, e incentivar uma nova resposta por parte dela, ou seja, estender essa comunicação o máximo possível. Mesmo que ainda não consiga se expressar claramente o fato de respondermos aos sons que o bebê emite, tentando observar e entender o que ele está querendo expressar, é essencial. Quando eles são mais velhos devolver uma pergunta com outra pergunta é um excelente jeito para estimular a formação dessas nova conexões cerebrais, e assim irão formular frases cada vez mais elaboradas, com as palavras novas que aprenderam. Importante: dê tempo para que a criança responda, espere um pouquinho até todas aquelas informações se juntem no cérebro e formulem uma resposta, aos poucos isso ocorre mais rápido, mas é necessário treino e repetição.

Outra forma é aumentando o repertório de palavras, que são os exemplos e inspirações para que se comuniquem. Nomear objetos, cores, situações, cria um banco de informações que no futuro serão utilizadas. Mas aqui temos uma ressalva a fazer, essa nomeação tem um efeito muito maior quando ocorre dentro de um contexto. Falar “bola” repetidas vezes vai, sim fixar a palavra na memória, mas falar “olha, aquela bola azul rolando pra longe de você”, vai deixar essa memória mais forte e mais fácil de ser acessada. Repetir a mesma palavra em contextos diferentes é melhor ainda! Uma hora a bola está rolando, outra está dentro do baú, ou senão na mão da criança. Hum, olha a repetição aparecendo de novo! Descreva o que está acontecendo e os elementos envolvidos, esse pode também ser o início de uma conversa. Livros são uma excelente forma de apresentar palavras e sons, o envolvimento delas na história dá mais força para o aprendizado e retenção. O que você tem mais facilidade de guardar, histórias ou palavras soltas?

Conforme eles vão crescendo, especialmente por volta dos 18 a 24 meses, tem um outro “pulo do gato”, a criação da necessidade de usar palavras para se comunicar. Ou seja, espere ela pedir, com palavras, antes de pegar. Estimule-a a ir além do choro, sons ou movimentos corporais para se comunicar. Abaixe na altura da criança, olhe nos olhos, incentive-a e tenha paciência. Muitas vezes é mais rápido já fazer o que ela quer, mas lembre-se que você está colaborando para uma construção e isso exige um pouco mais de dedicação e tempo. Se tudo acontece sem ela precisar falar para que se esforçar?

Agora, como já dissemos uns parágrafos acima, o afeto, a diversão e alegria são fermentos para a aprendizagem. Esses elementos aumentam a força das conexões cerebrais, fortalecendo os caminhos neurais da compreensão, motricidade oral e memória. E para as crianças o momento de brincar junto com os pais é quando isso mais acontece. Brincar é a forma pela qual a criança se relaciona com o mundo, é o momento que ela entende como as coisas funcionam, exercitam como se relacionar com as pessoas ao seu redor, descobrem e exploram coisas novas, expressam preferências e personalidade. Quando você brinca com o seu filho e está realmente focada neste momento, sem distrações e se divertindo junto esse se torna um tempo mágico, em que você consegue conhecê-lo melhor (e ele a você também), o vínculo e interação aumentam e é um grande momento para conversar, ouvir, criar tempo para entender e estimular a fala, criar histórias e brincadeiras para contextualizar palavras, repetir, tentar, rir, errar, acertar e comemorar as conquistas, sejam sons, palavras, frases ou histórias.

Sobre o Tempo Mágico e as Autoras:

O Tempo Mágico foi criado por duas grandes amigas, Alê e Grá,  que descobriram juntas as suas missões de vida: ajudar mães a se conectarem mais com seus filhos através da brincadeira!

Alê Palazzin: Sou fisioterapeuta, especializada em neuropediatra, mestre em aprendizado motor e mãe do Pedro, 5 anos (como o tempo voa!). Sempre fui apaixonada por aprender e também por compartilhar meu conhecimento, tudo o que aprendi… ajudar aos outros de alguma forma a terem também boas experiências… A maternidade sempre foi um sonho que sou muito grata por poder realizar e ter tido a oportunidade de mergulhar de cabeça nesse mundo (desafiador e apaixonante!), me faz querer aprender ainda mais e mais… para ser a melhor mãe que eu posso ser, para que meu filho tenha as melhores vivências possíveis e para continuar ajudando todos a minha volta…

 

Grá Faelli: Sou fisioterapeuta, especializada em neurologia, mestre em neurociências, mãe do Rafa, de 8 anos. Sempre busquei a realização como profissional e alta produtividade, até que um dia, como num choque de um fio de alta tensão, percebi que algumas coisas (na verdade muitas) estavam me afastando da minha real prioridade, meu filhote. Desde então venho na busca de formas e momentos para me conectar mais com meu filho, através da presença, brincadeiras e muito estudo sobre o desenvolvimento infantil e o cérebro das crianças, e as fases pelas quais elas passam.

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