Comer é muito mais do que saciar a fome.

É um encontro cheio de sensações: de cores e sabores, de cheiros e texturas, além dos paladares: doce ou salgado, amargo ou azedo, uma mistura do todos eles. É também um momento de encontro com o outro, de socializar e de estabelecer vínculos. Não é à toa que nós nos encontremos entorno de uma mesa para compartilhar uma refeição enquanto conversamos sobre a vida, o relacionamento e até mesmo para fechar negócios.

A Introdução Alimentar é o início de um percurso de relação não só com a comida e com os outros nas refeições, mas também consigo mesmo nessa nova experiência. Nessa relação o bebê deve ser protagonista. Assim, ele poderá experimentar a comida e a si mesmo nesse novo momento.

Para ajudar nesse momento tão especial – a oferta de outros alimentos além do leite materno – é importante saber que existem diferentes linhas, mas, mais importante do que escolher uma, é fazer com que a introdução alimentar ajuste as necessidades nutricionais do bebê à realidade da família, lembrando que cada família tem suas particularidades. Tempere as refeições com tranquilidade e empatia.

Como numa boa receita, seguem alguns aspectos (ingredientes) não nutricionais da Introdução Alimentar que podemos manter no horizonte:

– Manter uma rotina estável: onde o bebê vai comer e em que horários. Os bebês ficam mais tranquilos e seguros se sabem o que vai acontecer no seu dia a dia.

– Observar como é espaço para as refeições: o bebê deve sentir-se seguro e seus pés devem ter apoios. A criança que ainda não se sustenta sozinha e é colocada sentada em um cadeirão tem que fazer um esforço dobrado:  equilibrar-se e alimentar-se ao mesmo tempo. Da perspectiva de Pikler, é indicado começar com o bebê no colo, aonde ele se sente seguro e tranquilo.

– O lugar deve ser calmo e silencioso: o bebê deve ter sua atenção voltada para a comida. Por isso, é importante evitar o uso de telas e de outras distrações. Isso criaria uma desconexão entre o bebê e a nutrição, o oposto da conexão saudável que se quer nutrir. Por isso também, podemos resistir ao desejo de cantar, de brincar, de acalentar o comer para “estimular” ou “motivar” a alimentação.

– A comida não é um prêmio nem um castigo: o bebê deve ser respeitado, por isso é importante que não se tenha presa e que não se force o comer.

– A comida também não é sujeira: permita que o bebê prove o alimento com as mãos, a testa, as bochechas. Eventualmente com os pés! Ele está, literalmente, experimentando a comida com todo o corpo e, assim, alimentando também o espírito que, nessa mistura de cores, texturas e sabores, se sentirá valorizado.

Para finalizar, é interessante lembrar que se trata de uma verdadeira descoberta, então quanto maior a variedade, mais rico será o paladar no futuro. As refeições podem ser diversas, contemplando todos os grupos alimentares e as várias formas de se preparar os alimentos.

Um brinde à possibilidade de que toda a família possa comer bem e unida na maioria das refeições, esse é o exemplo perfeito.

Divirtam-se e bom apetite!

Autora: Maria Rozas é mãe, pedagoga e terapeuta. Criou Flamingo Sour para auxiliar famílias nas alterações e mudanças geradas com a vida do novo ser! Sua visão se baseia nas pedagogias Montessori e Pikler, mas especialmente com um profundo respeito à maternidade, sabendo que cada mãe é o melhor para seu filho.

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