O jogo é sempre bem-vindo no dia a dia da criança, não é? Quem não gosta de passar horas na frente de um tabuleiro ou de peças espalhadas pelo chão, bolando estratégias, tentando antecipar a próxima jogada do adversário, calculando cada movimento? Sem dúvidas, é um passatempo de sucesso!

Em outro artigo, já escrevemos por aqui sobre jogos educativos, que são muito importantes, pois desenvolvem inúmeras competências.

Os jogos de alfabetização são jogos educativos. Para começar, eles têm o propósito de desenvolver habilidades que estão envolvidas no entendimento e cumprimento das regras: organizar suas jogadas, permanecer atento, esperar por sua vez, respeitar a vez do outro, saber ganhar e perder – tudo isso é muito importante para que a criança aprenda a lidar com as próprias emoções.

No entanto, além desses objetivos comuns aos jogos educativos de maneira geral, os jogos de alfabetização possuem objetivos mais específicos, pensados para as fases do processo de aquisição da leitura e da escrita.

Com os jogos, as crianças são convidadas a refletir sobre o sistema de escrita, compreendendo e se apropriando do alfabeto e suas convenções. Numa primeira etapa, quando ainda não estabeleceram relações entre os sons e as letras, os jogos têm um papel muito importante, pois apresentam situações nas quais as crianças encontram-se desafiadas a associar a palavra dita oralmente (seus sons, sílabas, rimas etc.) com a grafia – e a partir daí nascem inúmeras reflexões. Isso acontece em jogos de memória em que o par é composto por uma figura num cartão e o nome do objeto no outro, por exemplo. Ou em dominós nos quais as crianças têm que juntar a figura ao seu nome ou à letra inicial. Ou ainda num bingo de nomes, no qual o desafio é encontrar na cartela o nome “cantado”. Há ainda jogos que fazem pensar nas rimas, nos sons iniciais ou finais e na comparação de palavras com partes semelhantes.

Mais tarde, quando as crianças já se apropriaram do sistema alfabético, os jogos continuam a desafiá-las! Agora, é hora de usar os conhecimentos que já têm para ler e escrever palavras ou frases, vai depender do desafio proposto, cada vez com mais autonomia. Há jogos em que é preciso encontrar palavras dentro de palavras. Outros, nos quais é necessário ler frases para descobrir como seguir para a próxima fase. Há também aqueles nos quais as crianças têm que escrever palavras com as letras que recebe em cartas embaralhadas.

Algo importante de ressaltar é que, além dos jogos propriamente ditos, a intervenção de quem joga junto é fundamental para que as reflexões aconteçam de maneira cada vez mais profunda. Da mesma forma que um adulto ajuda uma criança a entender que precisamos aprender a ganhar ou perder, pode mediar situações ricas de aprendizagem da linguagem escrita durante o jogo. Um bom exemplo disso pode acontecer num bingo em que é dito o nome Camila e a criança marca Caio em sua cartela. Um adulto que está por perto, jogando junto, pode perguntar o motivo dessa jogada (provavelmente, a criança olhou apenas para o início do nome) e, a partir daí, trazer à tona uma reflexão a respeito do sistema de escrita, ajudando-a a perceber outras relações entre a palavra dita e sua grafia.

No Playlab, há diversos jogos de alfabetização, que ajudam principalmente crianças que estão no começo do processo – como dissemos acima. Vale lembrar que, antes de tudo, os jogos proporcionam momentos lúdicos, que devem ser vividos com leveza e muita alegria. Além disso, a escolha do jogo já é o começo da diversão – pois então, divirtam-se!

Bruna Cardoso e Paula StranoAutoras: Bruna Cardoso e Paula Strano são pedagogas especialistas em alfabetização com mais de 10 anos de experiência em escolas, tendo atuado em sala de aula e com formação de professores. Hoje em dia, estão à frente do Projeto Ler o Mundo. Bruna é também psicopedagoga e Paula é escritora de livros infantis. Para conhecer melhor o trabalho das autoras: www.leromundo.com.br

 

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