bebê gatinhando no chão blog infantil

Conhecer o desenvolvimento infantil poder ser uma vantagem ou uma desvantagem. A diferença está na qualidade do olhar que dirigimos à criança. Quando falamos de desenvolvimento infantil, podemos observar a mesma criança de dois modos muito distintos: como um ser que ainda não sabe, que não ainda não é; ou como um ser capaz que está desvendando o mundo e a si mesmo. Difere bastante, não acha?

Por isso hoje gostaria de falar sobre observar os bebês, suas capacidades e dos mistérios que eles conseguem desvendar.

Toda criança é capaz de se desenvolver a partir da sua própria iniciativa e interesse

O que observar nos primeiros três meses?

No começo da vida fora do útero, o bebê começa a mamar e mostra sinais de desconforto por meio do choro ou resmungo. Nesse primeiro momento nosso bebê se movimenta por reflexos que aos poucos irá generalizando e convertendo em ações intencionais. Assim começará fazendo um sorriso sem intenção, mas esse sorriso se transformará numa expressão emocional entre o primeiro e segundo mês de vida, na medida que nós dermos respostas a ele, o sorriso adquirirá um sentido no seu desenvolvimento como ser humano.

A mão se move sem intenção, mas ela começa a encontrar objetos pelo caminho e se constrói uma consciência de movimento e de interação com o mundo que o rodeia, assim um dia essa mão vai achar a boca, e sendo a boca a parte do corpo com maior sensibilidade e função nesses primeiros meses de vida, será ela que explorará com consciência essa mão que chegou até lá e depois de várias vezes, o próprio bebê levará a mão à sua boca com toda a intenção. Essa mão descoberta será depois recebida pela outra, e a brincadeira de desvendar o mundo e a si mesmo continua.

Os primeiros movimentos serão oculares, olhando para os lados sem movimentar a cabeça, e depois seguindo as pessoas e objetos com os olhos. Mais adiante procurará sons movimentando a cabeça e até reproduzirá os do adulto, suas primeiras imitações.

Do que um bebê precisa nos primeiros três meses?

De contato, de colo, de olhar amoroso, de delicadeza. A delicadeza está no nosso toque, também no contato visual e na nossa voz. Precisa de responsividade (sensibilidade aos sinais e gestos do bebê, respondendo apropriada e prontamente a eles)

O que observar dos três aos seis meses?

Percebemos que nosso bebê já fica com a cabeça firme, e começa a ter interesse pelo mundo a sua volta querendo intervir ativamente nele. Começará a virar, primeiro para um lado e depois para ambos, até rolar. Pegará objetos com as mãos, os chacoalhará e sentirá como ele pode ser agente ativo no seu próprio mundo, conseguindo a atenção dos cuidadores, e sendo o iniciador de reações, como o movimento dos objetos. Esses objetos no começo ficam na mão e demorará um tempo até descobrir como soltá-los

Do que um bebê precisa nesta fase?

De todos os elementos anteriormente mencionados e nessa fase de maior movimento precisa de um chão firme para deitar barriga para cima, porque a partir dessa posição, o bebé será capaz de fazer todos os movimentos que precisa para conseguir rolar. De alguns objetos atrativos para favorecer a exploração, como um paninho de tecido, um chacoalho… e de um adulto disponível e conectado, que possa estar junto sem adiantar nenhuma fase, maravilhado pelo desenvolvimento autônomo de seu bebê.

O que observar entre os seis e doze meses?

As conquistas corporais são as mais visíveis, o nosso bebê rola no chão e começa a se deslocar, rastrejando e engatinhando. O desafio também será cognitivo, já que a ilusão de ser um ser único com a sua mãe começa a desvanecer, e nesse processo aparece a angústia de separação, um momento no qual o bebê vai sentir ansiedade quando não estamos perto dele. Ao mesmo tempo, consegue manifestar melhor suas vontades, a falar algumas sílabas e, mais tarde, palavras soltas.

A medida que vai manipulando brinquedos e objetos vai adquirindo destrezas motoras finas e consegue pegar objetos com os dedos indicador e polegar (pinça), colocar e tirar coisas de um recipiente, beber sozinho de um copo e se maravilhar vendo os objetos cair uma e outra vez (enquanto nós, os adultos, observamos consternados essa atividade quase convulsiva).

Em algum momento, perto do primeiro ano ou um pouco depois dele, nosso filho começará a experimentar a verticalidade, esse desafio de ver o mundo de outra perspectiva também traz para seu cérebro novas informações a serem processadas. Começará ficando em pé sobre algum apoio e depois caminhando segurando-se em objetos firmes que podem ser encontrados no seu entorno.

Do que precisa uma criança nessa fase?

De todos os elementos anteriores. Além deles: espaço livre para se movimentar, de objetos instigantes e de um adulto conectado e presente. É muito importante respeitar os tempos do nosso bebê, sendo conscientes de que ele é o protagonista de seu desenvolvimento, e de que nossas intervenções devem ser adequadas. É importante atentar para não tirar esse sentimento de capacidade criado com as próprias conquistas. É fundamental que o brincar seja livre e exploratório. E que forneçamos objetos de interesse para o bebê sem que o brinquedo brinque mais do que nosso filho. (Veja algumas ideias para se inspirar: https://playlab.com.br/brinquedos-educativos-bebes/)

A natureza das experiências com os cuidadores durante a infância pode exercer influência sobre as esferas cognitiva, emocional e social do desenvolvimento, essas experiências devem ser prazerosas e encorajadoras. Confiemos em nossos filhos e nos permitamos nos maravilhar com suas conquistas sem tentar adiantar nada.

LEMBRETE: Cada bebê tem o seu tempo. O desenvolvimento é uma espiral e não uma linha reta, sempre acontecerá que nossos filhos voltem a uma etapa anterior que fornecerá a eles mais segurança para os próximos passos.

Autora: Maria Rozas é mãe, pedagoga e terapeuta, com mais de 20 anos de experiência no acompanhamento educativo e terapêutico. Sua visão se encontra com as abordagens Pikler e Montessori, mas especialmente com um profundo respeito a maternidade, sabendo que cada mãe é o melhor para seu filho. Pode conhecer mais do seu trabalho www.flamingosour.com 

 

 

0 respostas

Deixe uma resposta

Quer entrar na discussão?
Sinta-se livre para contribuir!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *