Os pais sabem que condutas inadequadas das crianças entram em cena em diferentes momentos da rotina. Dessa forma, junto com comportamentos indesejados, acaba entrando também o castigo, como no caso do controverso cantinho do pensamento.

Nesse texto, vamos repensar o cantinho do pensamento como forma de ensinar as crianças a se comportarem bem. Não deixe escapar nenhuma linha!

Afinal, o castigo precisa ser aplicado?

Primeiro, vamos nos refletir sobre a palavra castigo, que embora seja muito usada, não representa da maneira mais adequada o verdadeiro sentido do processo de educação.

O termo castigar tem um peso punitivo, onde a pessoa utiliza algum método para punir a criança pelo que ela fez para mostrar que ela está errada. Você pode estar se perguntando: mas não é isso o certo? Quem faz coisa errada deve ser punido!

Bom, a verdade é que o que é preciso pensar é no objetivo por trás do castigo.

O que você quer atingir com essa punição é o que importa. Você prefere ensinar a criança que ela não pode fazer algo por medo ou prefere deixá-la viver a consequência de suas ações assumindo assim a responsabilidade do seu comportamento?

O medo não educa nem ensina, ele apenas adestra, sem gerar qualquer tipo de consciência ou aprendizado sobre o fato ou a atitude. Sem contar nas emoções negativas que o acompanham, como:

– Insegurança;

– Sensação de incapacidade;

– Baixa autoestima.

Portanto, na prática, podemos dizer que existem “castigos” que impõem o medo e geram apenas resultados superficiais e “castigos” que ensinam e são duradouros por fazerem sentido.

E por que não devo ensinar as crianças com o cantinho do pensamento?

Uma resposta rápida para essa pergunta é: porque ele não ensina o que você quer.

Agora, se você quer uma reflexão, vamos lá!

Como falamos anteriormente, para ser benéfico, o castigo precisa fazer sentido, gerando um aprendizado que faça bem à criança. O cantinho do pensamento não representa um método de educação, pois as consequências que ele traz podem ser até mesmo nocivas.

Cantinho do pensamento: expectativa x realidade

Ao colocarem as crianças para pensarem sobre a atitude que tiveram, os adultos imaginam que elas vão passar aqueles minutos refletindo sobre o porquê de estarem ali e por quais  motivos não deveriam agir como agiram.

O problema é que isso não acontece. Especialistas destacam ainda que as crianças podem reagir de forma negativa a esse castigo, sentindo-se isoladas e deprimidas ou com mais raiva ainda, se assim estiverem.

Além disso, associar pensamento a algo negativo é ensinar as crianças que pensar é ruim. Cria-se uma conotação de punição ao ato de pensar sobre algum assunto, atitude que pode prejudicar essa capacidade tão essencial para as pessoas.

E o que pode ser feito para ajudar os pequenos a se comportar bem?

 

1- Reconhecer o sentimento da criança

A criança precisa ser orientada para lidar com as suas emoções e compreender o que está acontecendo com ela.

Por exemplo: “Eu sei que você bateu no menino porque ele pegou o brinquedo das suas mãos sem perguntar e você tem razão de ficar com raiva”.

Depois disso, é importante expressar que não pode bater e dar uma alternativa para a criança, mostrando que, ainda que ela sinta raiva, existem melhores maneiras de resolver esse tipo de situação.

2 – Ensinar para a criança o comportamento adequado

Após reconhecer o sentimento e repreender a atitude, é preciso mostrar um caminho adequado para a criança, pois muitas vezes ela não sabe como agir e por isso acaba fazendo escolhas que não trarão bons resultados.

Por exemplo: “Você poderia ter falado para ele ‘não pode, não gosto, sou eu que estou usando este brinquedo’. Você não pode bater porque machuca mas pode conversar.”.

3- Falar que a criança precisa assumir responsabilidade sobre o que aconteceu

Depois da parte do diálogo, é importante partir para a ação sempre que possível. Não basta dizer para a criança que o amigo dela ficou triste por ela ter batido, é preciso incentivá-la a resolver a situação, ir até ele, mostrar e oferecer carinho.

Da mesma forma, se for um brinquedo ou objeto quebrado, ela precisa consertar. Esse tipo de atitude traz uma série de benefícios para o seu desenvolvimento, como mostrar na prática a sua responsabilidade sobre os atos e desenvolver empatia pelo outro.

Para aposentar de vez o cantinho do pensamento, coloque em prática o que ensinamos e aposte também na prevenção.

Mas de que forma? Incentivando boas ações, sendo um exemplo para os filhos, tratando-os sempre com respeito e usando a criatividade para inventar maneiras divertidas de aprender bons valores.

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