Olhar ao redor é o que a gente faz do instante em que desperta, ainda na cama, até o momento em que fecha os olhos e dorme de novo.

Mas o que a gente vê entre um momento e outro? E o que a gente realmente enxerga? Aqui, sugerimos algumas dicas para um passeio incrível em família, para enxergar tudo como se fôssemos turistas sem nem precisar sair do próprio bairro.

Com essa ideia, o que propomos é ver arte na cidade. Mas não necessariamente onde ela costuma morar, nos museus ou galerias a céu aberto, em becos e picos de grafite. Tudo isso é essencial, mas queremos algo diferente: que em vez de olhar para aquilo que os artistas criam, a gente possa convidar as crianças a ver tudo com olhos de artista. Como? Caminhando, observando e imaginando!

Vamos andar sem rumo certo pelo bairro, por isso evite os caminhos bem conhecidos. Use roupas e calçados confortáveis. Siga as sugestões e não se esqueça de fazer uma selfie para comparar as carinhas antes e depois!

Mas antes de juntar a sua turma, explique a proposta e garanta o “kit do roteiro fantástico”: cadernos e lápis para registrar; bolsos grandes ou sacolas de pano para carregar objetos; uma garrafa de água e algum trocado para o lanche e o transporte, se necessário.

Olhar ao redor

Ao sair de casa, caminhem pelo quarteirão. Como é cada lado desse quadrado em que vocês moram? Tem árvores? Como elas são? Onde tem mais carros? Muro, rua, avenida, comércio? Tem faixa de pedestres? Quem será que inventou as faixas de pedestres? Elas sempre existiram? Tem muita placa por aí? E letreiros, avisos, cartazes, grafites, pixos, propagandas? Vocês conseguem encontrar neles todas as letras da palavra MARAVILHOSO?

Enxergar longe

Agora sigam da rua para uma grande avenida. Ela está próxima? Tem ponto de ônibus aí? Se precisarem, peguem um. Tem metrô? Que tal andar uma estação? Como está o céu? Nem toda cidade tem um planetário, mas toda cidade tem céu! Aproveitem para olhar para cima: alguma estrela visível durante o dia? Dá para ver a lua? Tem sol? E a temperatura, como está? Algum desenho de ovelhinha nas nuvens? Andem de uma esquina a outra olhando sempre para cima e depois para baixo. Agora, se revezem para que sejam guiados com os olhos vendados. Vocês nem vão acreditar, é uma aventura sensacional!

De onde nascem as coisas

Quantos meios de transporte estão disponíveis na região? Tem praça? E bueiro? Vão anotando no caderno toda vez que encontrarem um! O que será que tem por debaixo dos bueiros? E casa abandonada, tem? Vocês viram algum animal? Quantos cachorros e gatos passaram por vocês? E plantas que brotam do concreto, viram alguma? Anotem tudo e façam desenhos rápidos do que chamar a atenção e for mais legal.

Para ser arquiteto ou urbanista por um dia

Tem algum prédio famoso? Como é a arquitetura? Sabem o que é mobiliário urbano? Encontraram algum? Onde vocês colocariam um banco no caminho para descansar? E uma fonte de água fresca para beber ou admirar? Tem sombra ou proteção da chuva? E passarela de pedestres, vocês sentem falta de uma? Como vocês ocupariam o espaço de dentro do círculo de uma rotatória? Talvez uma escultura, uma caixa de música ou uma máquina de bolhas de sabão?

Ocupar para viver a cidade, sim!

Vocês encontraram algum espaço vazio? Alguns bairros ou cidades podem ser superocupadas, sabiam? E outras podem ter espaço sobrando pra gente usar como quiser ou simplesmente não fazer nada. Um bom exemplo são as cidades com praia ou os espaços dos parques. Vocês passaram por canteiros entre ruas ou terrenos baldios? Como vocês preencheriam esses espaços? Já pensaram em fazer um piquenique, escorregar de papelão ou trazer um banquinho para sentar e ficar olhando a vida passar? Se tiverem um pouco de giz na sacola, escrevam um recado para alguém no asfalto (mas cuidado com os carros).

E a cidade vai para onde?

Então parem por um momento e tentem alcançar com os olhos o fim da cidade. Dá para ver? A cidade tem limites? Onde acaba a cidade e começa o campo? Tem fronteira? Tem espaço entre? E o que tem nas bordas? Como era esse lugar antes de virar cidade?

Pequenas pausas para grandes histórias

Quando bater a fome, escolham uma padaria onde nunca entraram e comam algo que nunca comeram. É saboroso? De que é feito? De onde vem a receita? Quais os ingredientes e como eles chegaram aí? Entrevistem o padeiro, o cozinheiro e alguém que trabalhe no caixa. Qual a história mais engraçada que já aconteceu ali? No mínimo uma piada de padeiro eles devem conhecer! Quem sabe isso dá um bom desenho ou conto!

A cidade é de um monte de gente, é de todo o mundo!

Ao longo do caminho, não se esqueçam de observar as pessoas. Como elas se comportam? Como se mexem e como são seus olhares, seus passos, suas roupas? E os rostos? Alguém alegre, distraído, cansado, amuado, ansioso, faminto, raivoso ou com cara de dor de barriga? Coletem objetos encontrados pelo caminho e os associem a essas pessoas que passaram. Deem nomes a elas e tomem um tempinho para anotar uma pequena frase sobre cada uma.

Fim de roteiro? Ou seria o começo de tudo?

Logo que o cansaço chegar, voltem para casa. Descansem. Desenhem um mapa dos lugares por onde passaram. Escrevam o que aconteceu e como vocês se sentiram. Deem notas ou indiquem o que mais gostaram. Conversem sobre cada pedacinho desse dia vivido em família. Quem inventa a cidade? A cidade é uma obra de arte?

Família artista

Para a coisa ficar ainda mais divertida, que tal montarem uma exposição na sala? O título pode ser “Primeira Mostra de Arte do _____________ (nome do bairro e endereço de onde vocês moram)”, por _____________ (nomes dos artistas caminhantes).

Depois, voltem neste post e deixem nos comentários como foi a experiência de sentir a cidade, criando e olhando ao redor como artistas que são.

 

Autoras: Ana Paula Campos e Thais Caramico/ Estúdio Voador. Somos um estúdio de criação de conteúdo para crianças, famílias e educadores. Valorizamos o protagonismo e as linguagens das crianças, e nossos projetos se inspiram nas artes, nos livros, no design, na ciência, na natureza e no brincar. Conheça nosso trabalho e nossos projetos especiais em www.estudiovoador.com, @inventorios e @bibliotecadefora.

 

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