Estamos perdendo o que é mais precioso: tempo com os filhos

A correria da vida moderna somada às necessidades que envolvem a criação de uma família já são suficientes para tomar grande parte do nosso tempo.Todos os dias acordamos com uma série de obrigações que simplesmente não podem esperar. São contas a pagar, reuniões, compromissos sempre inadiáveis e, no meio disso tudo, é preciso encaixar um tempo para passar com os filhos.

Mas a verdade é que, em muitos casos, o momento para a família não sobra. Especialistas apontam para a urgência de mudar a lista de prioridades antes que seja tarde demais.

A importância da primeira infância na formação do adulto

O que os pais não sabem, ou pelo menos não se dão conta, é de que a primeira infância, período que abraça os primeiros 6 anos de vida, é uma fase crucial para o desenvolvimento humano e se trata de um período curto que, mal ou bem estimulado, não tem mais volta.

Entretanto, suas marcas e ausências perduram por toda a vida. Por isso, elas podem ser eternamente prejudiciais ao próprio indivíduo, às famílias e à sociedade como um todo.

Uma vez que seu filho cresce, não adianta querer ensinar aquilo que não foi aprendido no momento certo. Os laços na primeira infância são determinantes para inúmeros aprendizados e construção da personalidade, como:

– Capacidade de dar e receber afeto;
– Desenvolvimento intelectual;
– Capacidade de lidar com frustrações, dores e dificuldades;
– Respeito a regras sociais e de convívio.

Para perceber ainda mais quanto é importante a primeira infância para o desenvolvimento do ser humano, saiba também que o cérebro humano cresce 175% desde o nascimento até o segundo ano de vida.

E não se trata simplesmente de um crescimento de massa ou volume, mas de conexões cerebrais que tornam possíveis o conhecimento da criança.  Além disso, nos cinco primeiros anos de vida a criança desenvolve 85% do cérebro.

Isso significa que quanto mais ofertamos para ela vivências, passeios e experiências para explorar o mundo durante a primeira infância, melhor será para o adulto que ela irá se tornar.

Isso nos mostra com urgência que é preciso despertar enquanto ainda há tempo para criarmos seres saudáveis integralmente.

O que nós pais estamos perdendo?

Veja a seguir uma história que poderia ser de qualquer família brasileira, com problemas atuais, relacionados ao nosso estilo de vida.

Imagine você que Maria é uma criança que, como muitas, vai para a creche de segunda a sexta e lá passa grande parte do seu tempo. Ao voltar para casa, seus pais estão cansados pois trabalham o dia todo, pegam trânsito, vão ao supermercado, banco e fazem essas tarefas comuns à vida em família.

Aos finais de semana os passeios são sempre acompanhados da babá que conhece Maria melhor do que ninguém e é a única capaz de frear as suas birras.

Maria tem muito energia e pouca opção para gastá-la. Seus pais a deixam conectada por horas a aparelhos eletrônicos (assim como eles mesmos ficam), preenchendo cada minuto de tédio com alguma programação. Ela não sabe o que é ócio, muito menos sobra tempo para a criatividade e imaginação.

Os compromissos ao longo da semana já começam a formar um currículo de sucesso para o futuro. Diversão para ela é ir ao shopping. Desde cedo vive uma lógica de excessos, o famoso “work hard play hard”.

Mas será que a rotina de Maria vai prepará-la para ser um adulto resiliente e capaz de lidar com as diferentes fases da vida? E a inteligência emocional, será que Maria consegue lidar com frustrações?

Bom, essa historinha representa a realidade de muitas famílias e nos atenta para diversos problemas relacionados à atual forma de criar e educar as crianças.

No dia a dia, fica difícil detectar esses problemas e o normal é agir no automático, saindo de um compromisso para outro. Mas quando observada de fora, fica mais fácil entender que há uma ausência de tempo preocupante entre pais e filhos e uma terceirização do papel de pais.

Acontece que essa ausência de tempo vai refletir na vida da criança, mas também traz muitas perdas para os pais…

Eles perdem o afeto, o vínculo de amor, a intimidade, o humor, as risadas, a capacidade de estar junto, de condividir a casa com alguém, a sensação de estar cuidando de alguém, de conhecer alguém profundamente, de ser membro de uma família. Nós pais estamos perdendo isso: os nosso filhos preciosos.

Uma proposta de mudança

Mesmo os pais que trabalham e não ficam o dia todo com os filhos podem estar construindo uma relação de valor com eles.

Por isso, é importante que façam o seu melhor para dedicar um tempo junto dos filhos na rotina do dia a dia, ainda que curto. Para conseguir esse tempo, ele não pode estar fora da agenda, mas fazer parte dela.

O ideal é propor aos filhos momentos sem distrações ou aparelhos eletrônicos, em meio à natureza, favorecendo as brincadeiras ao ar livre.

Neste convívio é importante que vocês se entreguem e se dediquem a crianças, brinquem e curtam a brincadeira com elas, entrem em seu mundo, se divirtam e se conectem.

Aproveitem esse momento para transmitir os seus valores e princípios, o seu jeito de se comportar e falar. Abracem e beijem a sua criança, a observem mais de perto e assim a conheçam cada vez mais.

Seja consciente que o melhor presente para a criança é a sua presença!

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